terça-feira, 8 de dezembro de 2009

VÊ LEGAL !

Vi a crítica do novo show e cd "Acesa" e concordo com quase tudo que foi dito.
Sempre considerei Alcione uma das maiores cantoras desse Brasil varonil e peço aos os mais chegados que não me deixem mentir. Não só pela sua potência vocal, técnica e sentimento, mas pela sua verdade escrachada que permeia todos os apetrechos necessários `a carreira de uma grande cantora. Não pretendo fazer especulações deliberadas sobre um ou outro tópico do novo trabalho dessa incrível profissional da voz. Não sou crítico musical nem quero ser, além de minhas opiniões muitas vezes serem um pouco polêmicas, o que disvirtuaria completamente o objetivo dessa publicação tardia salvadora do ostracismo do Jacaré. Na verdade, a intenção é falar da pequena parte que discordo.
Lia o texto com voracidade e suspirava de emoção enquanto me dava conta que existia alguém no mundo que comungava da mesma opinião que eu, sempre repreendido pelos meus quando declarava pública minha opinião sobre Alcione, de fato, uma cantora cheia de excessos, em todos os sentidos. Um tapa na cara das cantoras ajeitadinhas e arrumadinhas, vítimas da assepsia fashion que se apropriou da música brasileira desde que a Bossa Nova provou que não era preciso ter voz pra cantar. A música para os ouvidos vinha para amenizar o sofrimento histérico cantado pelos grandes boêmios, revolucionando o mercado fonográfico e dando oportunidade `aqueles que se sentiam reprimidos e discriminados por não terem recebido de Deus um instrumento vocal com potência `a altura de seus talentos . Mas isso também é outro assunto, não quero perder o "mio da feada ".
Vinha feliz, andando nas estradas da leitura, quando senti o calo apertar, pois é claro que em algum momento ele chegaria na Lapa. E taí, mais uma vez generalizava-se o samba que fazemos como uma série de universitários almofadinhas, pesquisadores reprodutores sem nenhuma consciência e, como gostam de dizer os que estão de fora do movimento, "sem pegada".
Poderia começar de novo defendendo o bairro que, na minha humilde opinião de cantor e compositor popular, nada mais é que a continuação de tudo que aconteceu na música brasileira desde as festas nos quintais das tias baianas até hoje. O refúgio atual da classe artística contemporânea é formado pelos mesmos quarteirões que compuseram num passado não muito distante um reduto musical alternativo, transformando-se rapidamente em um dos principais pólos de produção e reprodução de cultura carioca, brasileira e ( porque não dizer ?) mundial. Todavia, também acho que não é o caso de me estender nesse assunto. Pelo menos não agora.
Toda vez que lia algo depreciando a música que fazemos sentia-me atingido, pois sei que nasci para o Brasil desse movimento e sou cria dessas vielas. Era como se falassem diretamente comigo, sentia-me roubado de algo que era real, coeso, maduro, consistente, uma construção nossa que era facilmente julgada pelos famosos "entendidos" e alvo constante da crítica dos excluídos .
Até que ontem `a tarde, procurando um motivo pra escrever, pensei: - Será que eles estão sabendo realmente o que é a Lapa ? Será que o que está sendo divulgado no país e fora dele é realmente o que vejo, aquela miscelânea de tribos e informações contribuinte direta para uma nova forma de se pensar música no Brasil? Ou o que está sendo divulgado com o rótulo de "Lapa" é o que os veículos de comunicação pensam ou determinam que é ?
É a Lapa de Áurea Martins, uma das maiores cantoras do Brasil, que recebeu seu primeiro prêmio de música aos 68 anos, que está sendo falada ? De Yamandu Costa, Nicolas Krassik, Hamilton de Hollanda, radicados no Rio como tantos outros geniozinhos que fazem do nosso querido bar Semente o seu quintal ? Aqueles que trouxeram uma nova forma de se consumir música instrumental brasileira ? MÚSICA INSTRUMENTAL BRASILEIRA ! A Lapa de Luíza Dionízio, uma das maiores sambistas do Brasil, que lança seu primeiro disco após 20 anos de carreira ? De Teresa Cristina, Ana Costa, Nilze Carvalho, todas essas pretas maravilhosas de verdades e talentos transbordantes, integrados e ao mesmo tempo distintos ?
Ou será outra coisa que está sendo divulgada, chamariz de críticas que recaem sobre nós, crias desse maravilhoso bairro boêmio ? Onde estão Pedro Miranda, Hollanda, Moraes e Amorim senão nos braços do Brasil e do mundo? Será que explorando Alfredo del Penho e Mariana Bernardes como referências dessa continuidade musical as coisas não seriam diferentes ? Rhichah, Marquinho China, Gallotti, João Martins e Makley, grandes sambistas, nova e velha geração. Compositores como Wilson das Neves, Nei Lopes, Wilson Moreira, Toninho Geraes, Luiz Carlos da Vila exploravam e ainda exploram nossas ruazinhas pra mostrar a sua arte e serem ainda mais ovacionados.
Não quero desmerecer ninguém nem dizer quem deve e quem não deve estar nos braços da mídia. Tem muita gente merecedora que já encontrou seu caminho, mas tem muita gente boa na batalha que ainda precisa ser observada. Basta só se ligar se estamos observando as coisas certas. É claro que tenho minha opinião, mas esse "post" é somente um convite `a reflexão. O samba taí, com verdade e consciência, dando origem a novos talentos, a produção não pára. E a Lapa confirma a tradição, assim como a nossa querida Marrom, no ponto maior do mapa. Salve a Lapa !

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Calou-se.

Ele calou. Na verdade, nunca falou, vamos ser justos. Em nome do descomprometimento, da diplomacia por conveniência, ele cala e consequentemente consente.
Não tem um inimigo sequer, todos o adoram. Não tem rivais , inimigos fiéis, ninguém fala mal dele, é uma simpatia de pessoa, considerado desde o flanelinha até o gerente geral. Também não tem escola de samba, time de futebol, partido político ou uma namorada preferida.
Um blog? Nem pensar ! Um blog é exposição, dar a cara a tapa, colocar sua opinião na rede, um ato desmascaradamente panfletário, embora não seja.
Pra quê tanta exposição? Tanto comprometimento? Ele não pode perder seguidores, credores, amores, e não pode pegar friagem para não perder seu límpido Lá bemol 4 em voz de peito. Fica quieto, observa, trama, não quer se prejudicar, pois está tudo indo tão bem...
Jamais discordará do seu chefe, até porque é seu próprio. Seu maior medo ? Perder o poder. Perder o poder de poder fazer tudo que pode, sem medo, sem receios.
Ele praticamente não erra, pois não arrisca. Mas petisca sim, os melhores quitutes e bocadas. É uma unanimidade ! Esse definitivamente não sou eu .

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

SANTA


Há pouco descobri que há um centro de treinamento do BOPE não exatamente perto da minha casa, mas `a uma distância consideravelmente sucificiente para se ouvir os tiros em sequencial do aconchego do meu lar.
Obviamente o "choque de ordem" do Paes fez com que o morro da Coroa e o dos Prazeres ficassem bem animados, mas por sorte minha não estão tão perto da minha casa nem os tiros são disparados tão organizadamente. O fato é que esse tipo de sonoridade atonal desprivilegia um dos melhores bairros do Rio de Janeiro para se morar.
Minha doce Santa Teresa, que outrora alguém me disse que tem 118 entradas, o bairro imperial e provinciano de forte apelo cultural e artístico, dos chopes gelados do Gomes, do Sobrenatural, do Simplesmente, do Parque das Ruínas, das Paineiras e do Corcovado, de tantas outras belezas, é tratado como um reduto marginalizado e sinistro.
Como se não bastasse a ignorância dos taxistas desabilidosos e anti-éticos em seu ofício que se recusam a subir nossas ladeiras, receosos de terem seus pneus rasgados nos trilhos do bonde ou suas suspensões quebradas nos buracos, que insistem em andar a 80 km num bairro residencial com centenas de ruas estreitas de mão dupla e paralelepípedos mal conservados. Isso era outra coisa que poderia melhorar. E vai, não é, Duduzão?
E ainda assim aos Domingos corta-se um dobrado para se conseguir uma mesa no Marcô ou tomar um café no Jasmim Manga; e a feijoada está custando 45 reais, como se todos ganhassem seus honorários em Euro, tais como os nossos amigos estrangeiros, que despidos de preconceito ou não, vêm nos visitar diariamente.
Felizmente amigos e personalidades como Moacyr Luz, Dorina, Paulão Sete Cordas não abriram mão das belezas de Santa Teresa e ainda residem aqui, e o samba aos Domingos já tem uns três lugares diferentes para acontecer, no mesmo horário. O Santaxi ainda não atende a demanda, mas ainda sei o nome dos meus vizinhos e tomo cerveja sentado na calçada. E a feijoada branca do Pimenta continua deliciosa. Salve Santa Teresa !

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O Retorno de Saturno


Bom, acho que está na hora de falar da minha viagem paradisíaca `as ilhas havaianas, essas sim, as legítimas.
Não dos maravilhosos cardumes de peixes e das imensas tartarugas marinhas, nem das areias e águas claras do oceano pacífico, tampouco da convivência harmônica entre o homem e a natureza, com todo sua luxuosa imponência. Isso me faria cair impunemente no terreno infértil da obviedade, dividindo uma experiência como pura manifestação de um ego inflado por mais uma viagem internacional; tem seu valor, mas não é disso que quero tratar agora.
Quero dividir com o leitor os "insights" em sequencial, os lampejos de inspiração não só para a escrita e para as canções, mas quanto ao verdadeiro valor da existência, da passagem pelo mundo. O violão permaneceu no quarto do albergue, intocável, enquanto eu transitava anônimo pelas ruas de Waikiki.
Percebi que as drogas são um prazer e tanto, mas não extremamente necessárias quando você se basta. Em solo americano só se bebe em lugares fechados, a maioria um tanto quanto claustrofóbicos. Ser noturno que sou em minha rotina carioca , é claro que nas adjacências do" Pacific ocean" privilegiei os programas diurnos com toda a minha vitalidade. Sendo assim , durante a noite era absolutamente normal que me sentisse um tanto quanto cansado.
Percebi também , como Paulo e João disseram num passado não muito distante, que para se compor não precisa se estar nem feliz nem aflito, nem se refugiar em lugar mais bonito em busca da inspiração. Ela é uma luz que chega de repente com a rapidez de uma estrela cadente, e das belezas havaianas ainda não escrevi, mas elas estão entranhadas na minha memória de um jeito que tenho certeza que não se apagarão facilmente. O violão tinha de ir , pois se resolvesse tocar e ele não estivesse lá , jamais me perdoaria. Mas ele ficou lá , calado, com as cordas gastas de maresia esperando para serem feridas. Mas ao chegar no Brasil já fiz quatro músicas novas, e a cabeça transborda de idéias como nunca, projetos e decisões importantíssimas a serem tomadas.
Mas a melhor coisa de todas é aquela idéia de pseudo-imortalidade, quando se está a vinte horas do Brasil e a oito do Japão, quando se olha fixamente para a linha de um outro horizonte e se vê um mundo `a sua espera, como um cavalo puro sangue celado pronto para ser cavalgado na direção da esquina de sei-lá-onde com sei-lá-o-que. Em suma, a quantidade de mundo que te espera.
Ao chegar em casa, a felicidade de chegar de novo `a minha cidade, minhas origens. Saudade das pessoas que eu amo, um amor livre, como os coleirinhos e bem-te-vis que sobrevoam minha janela em Santa Teresa. A vontade de estar mais perto da praia, mais e mais, a minha praia, a carioca, com as belezas naturais da cidade maravilhosa.
Já não gosto mais da minha Tv, e pra falar a verdade, nem preciso muito dela. Mas pelo sim ou pelo não, pretendo trocá-la. Meu sofá-cama já deu no que tinha que dar, e certamente o apartamento que tanto amo pode abrigar outro casal...sei não, acho que estou mudando.
Acho que , na verdade, preciso mesmo é de um colchão, meu computador para trabalhar, meu violão, meus amigos, meus discos e livros....e nada maaaaaaiiiisss.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

ILCV

Boa noite!
Alguns eventos realizados em homenagem a Luiz Carlos da Vila estão utilizando o argumento de que a arrecadação de bilheteria será revertida em benefício da família e, em virtude disso, solicitam liberação do cachê dos artistas. Esse procedimento vem colocando em situação de constrangimento desnecessário esses profissionais, pessoas sempre queridas pelo compositor.

Diante dessa conduta, em nome de toda a família, informamos que a prática não tem o seu apoio e que eventos dessa natureza vão contra os princípios cultivados por Luiz, seus familiares e o Instituto que lhe representa. As ações beneficentes devem ter o apoio do Instituto Luiz Carlos da Vila e a ele deve ser revertida a verba arrecadada, sem qualquer prejuízo para os artistas envolvidos. Apenas a estes cabe a decisão a respeito do cachê.

O Instituto Luiz Carlos da Vila não realiza evento sem a garantia da remuneração dos artistas, respeitando a posição do compositor em defesa da valorização do samba e da cultura brasileira; caso haja necessidade, o Instituto tratará prévia e respeitosamente com os envolvidos. Portanto, senhores e senhoras artistas, fiquem à vontade para tomarem posição.

Esclarecimentos adicionais, favor entrar em contato por meio do telefone: 21-3352.1320 ou pelo e-mail que lhes remete este comunicado.

Forte abraço a todos e todas!!!

Instituto Luiz Carlos da Vila

Diretoria

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

REVELAÇÃO

Engraçados são alguns comentários que ouço por aí, alguns tão curiosos a ponto de serem registrados , outros infelizes que me entristecem, outros tão infelizes que merecem ser ignorados.
Mas falando do grupo dos curiosos, tem sempre alguém que diz , por exemplo:"- Poxa, mas eu não lembro de você em 2002..". Isso significa que eu não existia, né ? Se você não se lembra de mim....Claro, a minha carreira só começa no dia em que você me conheceu. Pelo menos pra você, que conhece tudo que o mundo tem para oferecer.
Estou prestes a completar dez anos de carreira, e não tenho a menor intenção de me fazer parecer mais velho do que sou, muito pelo contrário. Em breve farei bodas de "artista revelação". É isso aí, enquanto o mundo todo não me conhecer, sempre serei revelação.
Mas antes, tenho uma revelação a fazer . Eu já tocava na década de 90! Eu juro ! O "Forró na contramão", minha primeira banda, já existia em 1999 ! O grupo Casuarina foi fundado em 2001, inauguramos o "Dama da noite " em 2002 , e em 2003, começamos os bailes dessa geração no clube dos Democráticos, com a produção do Flávio Santoro. Não estava na Lapa em 1997, quando tudo começou ( pelo menos é o que dizem ), mas toquei no Semente ainda na administração da Regina , `as Terças Feiras, e frequentava o baile dos Anjos da Lua no Emporium 100 , na rua do Lavradio.
Mas não me incomodo de ser chamado de revelação, desde que não signifique "calouro", desinformado. É claro que ainda tenho uma longa estrada pela frente, mas no caminho de cobras e lagartos do meio musical, já conheço muitas trilhas e muitos mares já antes navegados. E sempre procuro desbravar novos caminhos, talvez por isso ainda seja considerado revelação. Espero que eu revele coisas boas....
Agora, "Revelação" mesmo, é aquele grupo de pagode do Xande de Pilares, meus companheiros de gravadora, que tocarão Sábado agora ao lado do Lulu Santos e da bateria da Grande Rio para comemorar a candidatura da cidade `a sede dos jogos Olímpicos de 2016. Até lá , se eu não tiver um ataque cardíaco fulminante, terei 37 anos, e provavelmente serei o artista revelação com mais tempo de revelação de todos os artistas revelação de todas as gerações reveladas. Uhu !

domingo, 27 de setembro de 2009

Há cantores no Brasil....

Não, senhores críticos , não digam que não há cantores no país das cantoras! Seria injustiça com o Sr. Renato Braz, dentre os melhores paulistas que já vi cantar. Ah, se o Seu Jorge escolhesse melhor o repertório...que vozeirão !
E quem há de dizer que não há um grande material vocal em Alfredo del-Penho, meu camaradinha das antigas, geniozinho da música? Ou na reverência irreverente de Marcos Sacramento, melhor com menos instrumentos, para que sua voz ecoe mais num "Canto de quero mais ".
Na herança deixada por João na voz do filho Diogo, ou na do outro João, o Cavalcanti.
Como assim não há cantores ? Talvez não exalem o charme de uma Roberta Sá ou o sexy appeal de uma Maria Rita, mas há o sentimento de um Marcelo Mimoso, o Frank Sinatra do forró.
E quem há de dizer que Zé Renato também não pertence `a nova geração? Não a novíssima, como o Mackley Mattos, ou até mesmo no médio de um "Bico Doce ", mas há a sofisticacão de um Pedro Moraes, a afinação de um Pedro Holanda e a descontração de um Pedro Miranda. Na cidade dos Pedros, o que não falta é voz, e das boas, trabalhadas, com muito material...deve faltar material é pras críticas por isso inventaram essa coisa de que não há vozes masculinas relevantes no mercado...ou talvez falte é mercado.
Isso porque meu amigo Duani está lá escondidinho em Sampa. Será que todos temos que ser morenos de olhos verdes ou azuis?...quem sabe não é isso que está faltando ?
Porque voz não falta em Gabriel Cavalcanti, nem no Miguel dos Anjos, de BH. Fora os que eu estou me esquecendo agora, inclusive de dizer que também faço a minha parte.
Acho que está faltando é boa vontade...